A Residência Literária Eça de Queiroz, acolheu no mês de Março o escritor Frederico Neves Parreira. A estadia literária culminou no dia 30 de Março, com a realização da oficina “Mentira, verdade e autoridade na ficção”, que reuniu leitores e curiosos pela escrita na Biblioteca Municipal António Mota.
A iniciativa teve como propósito explorar a fronteira entre o real e a ficção, bem como os mecanismos de construção narrativa que conferem credibilidade e autoridade às histórias. A oficina constituiu um momento de partilha e descoberta entre o autor e os leitores.
Além da reflexão literária, a sessão assumiu também um carácter afectivo e comunitário. O autor ouviu relatos de memórias locais, incluindo histórias antigas de Baião.
Transcreve-se de seguida o testemunho do autor sobre a residência:
«Tendo-me sido atribuída uma das residências no ano de 2026, passei em Tormes o mês de Março, do dia 1 ao dia 31. Durante esse período, dediquei-me à escrita do projecto apresentado ao júri, bem como a uma série de pesquisas sobre o território, nomeadamente igrejas e cemitérios, para além da paisagem natural.
A possibilidade de passar um mês inteiro neste processo, com tempo e disponibilidade mental para lhe somar leituras diárias, tanto sobre a região como leituras divergentes, mostrou-se uma mistura muito proveitosa para o meu trabalho.
Previa, ainda antes da residência, que a visita ao edifício da Fundação se mostrasse uma experiência interessante, mas fui surpreendido pela riqueza dos pormenores contados pelos guias. Muitas vezes, são os pequenos pormenores que fazem avançar o trabalho de pesquisa ou que desbloqueiam a construção de uma narrativa. Posso dar como exemplo a informação que recolhi sobre o tamanho (menor do que o tamanho de um corpo) da cama do escritor, trazida da sua casa de Paris, e sobre as superstições acerca de dormir totalmente deitado (o que deixaria a pessoa mais próxima da morte), ao invés de numa posição intermédia entre o deitado e o sentado.
Fiquei de sobremaneira agradado com as condições oferecidas e com a possibilidade de, com um mínimo de preocupações práticas, poder desenvolver o meu trabalho. Toda a equipa da Fundação foi calorosa e disponível para que tudo corresse da melhor maneira, o que muito agradeço.
Guardarei este período na minha memória e ficarei, certamente, com vontade de voltar para rever o lugar e as pessoas.»

