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Eça de Queiroz e Machado de Assis: o testemunho como segunda pele Por Monica Figueiredo (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

– – – 8  de novembro de 2017, 14h30 – Sala de Reuniões CEHUM, Universidade do Minho – – –

Ao pensar a literatura do século XIX, uma reflexão sobre a importância das mudanças que assolaram a realidade oitocentista faz-se necessária quando se quer entender a trajetória percorrida por dois dos principais personagens criados pelo romance realista no Brasil e em Portugal: Bento Santiago, de Machado de Assis; e Carlos Eduardo da Maia, de Eça de Queiroz. Tendo como pano de fundo uma realidade social marcada de perto pelo movimento da emigração; pelo recrudescimento da atmosfera bélica que adjetivou a experiência neo-colonialista; e pelo fortalecimento das forças económicas lideradas por uma orientação capitalista, logo incorporada à fisionomia de uma burguesia enriquecida e entediada da paisagem “decadente” do Velho Mundo, o romance queirosiano parece opor a agitação finissecular ao diletantismo improdutivo de Carlos Eduardo em Os Maias (1888). Do mesmo modo, a sociedade escravocrata e preconceituosa, assolada de perto por uma política de clientelismo e por uma religiosidade cerceadora, é o cenário social recriado pela narrativa de Machado de Assis, cenário este que em grande parte justifica o lugar do privilégio ocupado por Bento Santiago, em D. Casmurro (1899). O presente trabalho pretende analisar como a literatura vitoriana, nascida num século de apogeu dos valores viris, foi criadora de personagens inativos, assombrados pelo custo de uma atuação concreta, e de todo afastados da esfera do trabalho. É uma história do medo em masculino que se pretende recompor, ao perseguir os destinos destes herdeiros de casas e de famílias que nunca, de fato, conseguiram administrar.

Monica Figueiredo é Professora Associada de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atua como docente tanto nos Cursos de Graduação, como nos de Pós-Gradução, sendo membro integrante do Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas (PPGLV/UFRJ), avaliado pela CAPES com conceito 6. É Pesquisadora de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Com Especialização, Mestrado e Doutorado em Literatura Portuguesa, dedicou grande parte de seus estudos à narrativa de ficção produzida ao longo do século XX, o que, a partir de 2002, encaminhou seu interesse para a investigação do romance oitocentista e a herança deixada por ele em nossa contemporaneidade. De 2005 a 2006 desenvolveu pesquisa com Bolsa de Pós-Doutoramento (CNPq) junto à Universidade de Coimbra, onde aprofundou a reavaliação crítica da obra de Eça de Queiroz, graças ao projeto: “E[ç]as Mulheres: um estudo da presença feminina na narrativa de Eça de Queirós”. Agraciada com alguns prémios que reconheceram seu trabalho de investigação, é autora de diversos ensaios publicados no Brasil e no estrangeiro, tendo lançado dois livros: No corpo, na casa e na cidade: as moradas da ficção (2013) e De vencedores vencidos: Machado & Eça num encontro (2015). Atualmente, desenvolve pesquisa com Bolsa de Estágio Sénior financiada pela CAPES e supervisionada pela Profª Dr.ª Isabel Pires de Lima, junto ao ILCML, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o projeto: “Atlas do romance queirosiano: (des)caminhos viajantes da estética realista”.

 

Mais informações em: http://ceh.ilch.uminho.pt/eventos_show.php?a=304

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