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O Escritor

EÇA DE QUEIROZ E O ORIENTE

A ligação de Eça de Queiroz ao Oriente deu-se quando este tinha 23 anos. Acompanhando o seu amigo e futuro cunhado, Luís de Castro, conde de Resende, Eça partiu para o Egipto em 23 de Outubro de 1869 para assistir à inauguração do Canal de Suez e regressou a Lisboa em 3 de Janeiro de 1870. Do total de setenta e dois dias, treze foram dispendidos na viagem de ida e outros dezasseis na viagem de regresso, o que deu aos viajantes quarenta e três dias para conhecerem o Egipto, a Palestina e a Alta Síria. A duração da viagem não foi muito longa mas as memórias deixaram marcas perenes.

O Canal de Suez na altura da sua inauguração
O Canal de Suez na altura da sua inauguração
O Cairo na época em que Eça o conheceu
O Cairo na época em que Eça o conheceu

Se o Canal de Suez foi o pretexto para a jornada, as visitas às cidades do Cairo e Jerusalém foram os momentos marcantes da viagem, como o próprio Eça faz questão de ressaltar no texto publicado no Diário de Notícias logo após a sua chegada, intitulado «De Port-Said ao Suez».

O encontro com personagens como o escritor Théophile Gautier ou o Sr. de Lesseps, engenheiro do Canal, não deixaram no escritor uma impressão tão profunda como as marcas que lhe deixaram o Cairo e Jerusalém.

Tudo o que viu e sentiu Eça foi apontando nos seus cadernos de viagem, com o intuito de lhe servirem essas notas para publicação posterior, ou como material para futuras obras. Nos seus apontamentos chega mesmo a registar, com algum detalhe, locais por onde não passou, mas que ‘visitou’ graças às obras de alguns dos mais famosos visitantes do Oriente da época, como Maxime du Camp, Gérard de Nerval, Edmond About ou o já referido Théophile Gautier, o qual encontraria no Shepheard’s Hotel, no Cairo.

Mas para além dos textos, também as fotografias e gravuras da época sobre o Egipto Faraónico o influenciaram, explicando também em parte anotações sobre locais que não visitou, como Tebas e os seus templos, entre outros.

Nenhum dos cadernos com as suas notas de viagem chegou ao público enquanto o escritor foi vivo, mas tornaram-se parte das suas obras. A influência da visita de Eça ao Oriente destaca-se sobretudo em A Relíquia, A Correspondência de Fradique Mendes e as Lendas de Santos, mas também n’ Os Maias, O Mandarim, e em artigos publicados em jornais e postumamente reunidos nas Notas Contemporâneas, Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres.

Teodorico, d’A Relíquia, é a personagem cujo percurso mais se aproxima do do autor, mas também Fradique Mendes, Onofre, Teodoro, Carlos da Maia, Basílio, André Cavaleiro e João da Ega têm forte ligação ao Oriente. Um aspecto interessante relativo a todas estas personagens, à excepção de Fradique Mendes, é o facto de, para todas elas, a viagem representar um momento crucial nas suas vidas, um momento de mudança. As palavras de Teodorico, que refere que “esta jornada à terra do Egipto e à Palestina permanecerá sempre como a glória superior da minha carreira”, podem muito bem ser a síntese que Eça faria da sua própria viagem.

Mas a sua adesão ao Orientalismo, então em voga, não passa apenas pelo Oriente próximo, mas também pelo Oriente longínquo, da China e do Japão. O caso d’O Mandarim é disso um bom exemplo, levando o leitor à China, ou mesmo os casos da crónica «Chineses e Japoneses», ou do artigo «A França e o Sião», focando mais uma vez o Oriente.

Outra ligação com o Oriente longínquo é a Cabaia, oferta do seu grande amigo, Bernardo Pinheiro de Melo, Conde de Arnoso, secretário do rei D. Carlos. Esta oferta resultou da viagem que o conde de Arnoso fez a Pequim, aquando da assinatura do primeiro tratado luso-chinês, em 1887. Esta peça inigualável, ricamente bordada com motivos tradicionais chineses, de forte significado mitológico e cosmológico, era uma cabaia de cerimónia de classes superiores. O seu restauro foi efectuado em 1992, pelo Instituto José de Figueiredo, com o patrocínio da Fundação Oriente e da empresa RIMA; trouxe-lhe o seu antigo esplendor, podendo agora ser apreciada na Fundação Eça de Queiroz.

Bibliografia:
FEQ (1997) Eça e o Oriente — Folheto, FEQ, Tormes
MATOS.A.C. (1988) Dicionário de Eça de Queiroz, Ed. Caminho, Lisboa

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